Lugar e cotidiano num diálogo com as políticas públicas: o individual e o coletivo em educação.
Resumo
Na interlocução entre os significantes peculiares de cada sujeito, constituídos como lugar e cotidiano, abrigo uma reflexão que tensiona as diferenças singulares e as proposições generalizantes das políticas públicas. Estas, como projetos de Estado, carregam uma dimensão globalizante que é apresentada a um coletivo, o que, numa análise mais apressada, parece se contrapor à singularidade e originalidade de cada sujeito. Nesse sentido, neste artigo, apresento um ensaio teórico que tem a pretensão de pensar essa relação individualidade e coletividade tendo como pano de fundo da reflexão as políticas na educação. Uma argumentação que envolve os desafios e possibilidades subjetivas, mas que assume a linguagem como elemento central na constituição do sujeito, processo que acontece de forma intersubjetiva. Analiso, dessa forma, o espaço como pressuposto para pensar o individual e o coletivo, o papel fundamental das categorias geográficas cotidiano e lugar na vida do sujeito, que está sujeito às políticas públicas, e encaminho discutindo o processo das políticas que são elaborações que abrangem grupos, pois são públicas, no contexto de sujeitos que são singulares. Proponho que, organizar políticas públicas para sujeitos singulares, pode encontrar na educação escolar, um aliado. Isso, porque dependendo do modo como é encaminhado, o processo educativo pode contribuir para a constituição de um sujeito autônomo e emancipado, porque e desde que, auxilie construindo compreensões considerando relações escalares, que reconheçam o local e global e que oportunizem a ressignificação do mundo da vida.Referências
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